Archive for November, 2009

Um pouco depois

Saturday, November 28th, 2009

A primeira versão da peça publicada pelo www.centopeia.net tinha uma epígrafe de Claes Oldenburg. Depois da experiência da transmissão ao vivo, ontem à noite, no TPA, não pude deixar de lembrar desse texto do artista, cujo final transcrevo aqui, na íntegra:

“O divertido é misturar alhos com bugalhos - por exemplo: combinar nossas noções de escultura com nossas noções de um simples objeto “comum”: almondega com quarto de dormir. As sutilezas e as estratégias dessa controvérsia me encantam; disputo as definições - assim ou assado - uma idéia, outra idéia - e então saio do estúdio e corro para as ondas do Pacífico (frias nessa época do ano). Mas o trabalho pronto não é um problema; é a minha solução. Uma problema para os outros, talvez. Se eles quiserem poderão retomar meu caminho. Bem no início há uma “norma” obstinada, uma decisão cujas consequências são imprevisíveis. A norma é seguida com firmeza - os fatos cedem ou amoldam-se à decisão. A solução é fascinante (se vier) porque a proposta é absurda. Arte como esporte. (Nova York, maio de 1967)

Enfim, plano sequência ou montagem, teatro ou cinema, merda ou ação? Agora não importa. Foi um privilégio ter participado do jogo. Obrigado.

Um pouco antes

Friday, November 27th, 2009

Uma das perguntas para a versão radiofônica da peça Esquecendo Wimbledon era como um enredo tradicional podia sobreviver à ausência de imagens e tempo limitado a pouco menos de cinco minutos. Apelou-se para a lembrança de um repertório cinematográfico familiar, envolvendo alguma superação no universo esportivo. Como são histórias longas, sem querer abrir mão de algumas de suas personagens, pensou-se que uma versão condensada ao extremo poderia ser encontrada em um tipo de filme pornográfico, em que não há espaço para sustentar qualquer ilusão porque tudo converge para a filmagem do ato sexual com uma proximidade anatômica. O resultado é, em parte, algo que pode ser resumido pela sinopse: “Quando o jogo parece perdido, uma jovem que vive em uma antiga vila olímpica encontra a oportunidade de realizar seu desejo.”
Depois de uma conversa sobre relações entre teatro e cinema, Renata Jesion e Nelson Kao abriram a possibilidade para que a peça se realizasse no momento em que essas duas linguagens se encontram pela filmagem de uma performance ao vivo. E, enquanto assistia a um dos ensaios iniciais, do primeiro andar do Teatro Para Alguém, vi pela tela de vídeo que exibia a c filmada que a direção de Sabrina Greve tinha optado por planos fechados a uma distância a meio caminho entre as abstrações do texto e a proximidade imposta por um filme pornô. Dessa maneira, seguindo a regra básica do TPA, o enredo mínimo que a peça traz se sustenta em um plano seqüência em que os diálogos estão conectados por meio closes em movimentos associados quase que exclusivamente às roupas das personagens, uma simplicidade justa que o poeta e ensaísta Sérgio Medeiros previu como um sonho comum com “coisas claras: superfícies, tênis…” Agora, se o ator do filme erótico vive para mostrar uma ação, a expectativa para a estréia desse trabalho em forma de uma webcena, parece ser a de conseguir perceber no audiovisual, pela luz, sonoplastia e principalmente pela interpretação do elenco, aquilo que as personagens realmente sentem do lado de lá, no interior da imagem.

Texto original da peça www.centopeia.net
Versão radiofônica www.fundacaobienal.art.br

Helô Pait e o ‘Corpo Estranho’

Saturday, November 7th, 2009

Melhor Que A Clarice Lispector_0062

A Renata me pediu para listar o texto que a Heloisa Pait (à esquerda, acima, com a atriz Priscila Gontijo) escreveu sobre ‘Corpo Estranho’ na seção Na Mídia (ali no Hall). Mas a Helô é mais de casa do que alguém que escreve sobre ou critica o Teatro Para Alguém. Então resolvi reproduzir aqui (com o link para o original):

Novela ao avesso

Acabei um artigo complicado e agora posso escrever no blog. Hoje é sobre o Teatro para Alguém. Participei de um espetáculo há duas semanas, então não preciso ser isenta, sou parte da turma. E vou jogar confete.

Nem poderia ser isenta, pois sou fã da Renata desde que ela era rainha da patinação na Hebraica. Mas eu não apostava muito no Teatro pela Internet, afinal que meio é esse? Tinha baixado uma Dona Carlota em mim, e eu perguntava: é teatro, é filme, é internet? Afinal de contas, o que você fazzz?

Quando vi como ficou legal o Melhor que a Clarice Lispector eu perguntei para o Lucas: e esse Corpo Estranho, o que é, hein? Chorei de rir só com a sinopse. Tem um bar dos sósias, ele me contou. Um bar onde vão só sósias.

Disse para o Lucas ler o Gigante Burocrator, de autoria de meu irmão, que seria uma espécie de Lourenço Mutarelli da Poli. Ele não esperou o meu email – eu estava por conta do artigo supra mencionado – e achou na internet, leu e adorou. Legal!

E eu fui checar o tal Corpo Estranho, do Mutarelli ele mesmo, o que escreveu O Cheiro do Ralo, com o Selton Mello. A Renata disse: é o universo dele mesmo, ele é assim. O que só confirma minha suspeita que artista não inventa nada. A gente só conta pros outros onde vive de verdade.

Bom, chega de entretantos. A Renata que falou: é uma novela. No espisódio 7 da primeira temporada, por exemplo, tem um papo de casal discutindo a relação. Que nem novela. Mas é do avesso. Os assuntos bizarros, um creme vaginal, o bar dos sósias. Maravilha.

No episódio 9 a cena do médico mostrando o pé descalço como numa tirinha, e a gente rindo como ri de tirinha. Mas ri angustiado, que trama bizarra. Novela, teatro, tira, cinema, sei lá.

Só sei que eu parava de escrever o artigo e falava: ah, mais um episódiozinho. Só mais um. Depois eu volto, é até bom, risada faz bem pro cérebro e eu vou escrever melhor depois. Então fui vendo um a um, tipo novela, contente com o gancho.

E o melhor é que ainda tem a segunda temporada!

Veja também o depoimento da Helô sobre seu texto aqui.

Zemanuel em cartaz com ‘Sonho de Outono’

Friday, November 6th, 2009

O ator Zemanuel Piñero, aqui do Teatro Para Alguém, entra em cartaz hoje no Sesc Anchieta com a peça ‘Sonho de Outono’, do norueguês Jon Fosse, sob direção de Emílio de Mello (da Cia. dos Atores, do Rio). Parece que a temporada no Rio foi bem legal.

Veja o flyer:

sonho de outono

O Zé já participou de cinco produções no TPA. Reveja quando quiser:

. DEVE SER DO CARALHO O CARNAVAL EM BONIFÁCIO, de Mário Bortolotto

. 121.023 J, de Renata Jesion

. CORPO ESTRANHO 1, de Lourenço Mutarelli

. CORPO ESTRANHO 2, de Lourenço Mutarelli

. POR CONTA DA CASA, de Sérgio Roveri

Merda, Zé!

Bastidores de 'Corpo Estranho'