A primeira versão da peça publicada pelo www.centopeia.net tinha uma epígrafe de Claes Oldenburg. Depois da experiência da transmissão ao vivo, ontem à noite, no TPA, não pude deixar de lembrar desse texto do artista, cujo final transcrevo aqui, na íntegra:
“O divertido é misturar alhos com bugalhos - por exemplo: combinar nossas noções de escultura com nossas noções de um simples objeto “comum”: almondega com quarto de dormir. As sutilezas e as estratégias dessa controvérsia me encantam; disputo as definições - assim ou assado - uma idéia, outra idéia - e então saio do estúdio e corro para as ondas do Pacífico (frias nessa época do ano). Mas o trabalho pronto não é um problema; é a minha solução. Uma problema para os outros, talvez. Se eles quiserem poderão retomar meu caminho. Bem no início há uma “norma” obstinada, uma decisão cujas consequências são imprevisíveis. A norma é seguida com firmeza - os fatos cedem ou amoldam-se à decisão. A solução é fascinante (se vier) porque a proposta é absurda. Arte como esporte. (Nova York, maio de 1967)
Enfim, plano sequência ou montagem, teatro ou cinema, merda ou ação? Agora não importa. Foi um privilégio ter participado do jogo. Obrigado.
Tags: arte; esporte; recepção; idéias, estilo; teatro ou cinema?




Acabei de chegar até vocês, porquê começaram a me seguir no Twitter. Na primeira olhada, achei MUITO interessante.
Espero poder conhecer mais essa casa!
Sucesso pra vocês e parabéns pelo elenco, produção e tudo mais (que pelo que eu vi, está muito bom)
Também gosto de citações: “Eu dizia que efetuar algo de sua potência é sempre bom. É o que diz Spinoza. Mas isso traz problemas. É preciso especificar que não existem potências ruins. O que é ruim não é… O ruim é o menor grau de potência. E este grau é o poder. O que é a maldade? É impedir alguém de fazer o que ele pode, é impedir que este alguém efetue a sua potência. Portanto, não há potência ruim, há poderes maus. E talvez todo poder seja mau por natureza.” Deleuze em http://www.oestrangeiro.net
Augusto, a gente adora receber críticas, justamente porque é delas que surgem o debate, as discussões sobre estética e as polêmicas de linguagem – que forjam a própria natureza híbrida do Teatro Para Alguém.
Por isso, seria legal se vc desenvolvesse sua opinião. O que é exatamente ‘pretensioso’ na montagem? Onde está o ‘vazio’ especificamente? A partir dessas respostas, podemos até entender a conclusão de que o ‘trabalho não vale nada’. Sem elas, não.
Abs.
Caro Augusto,
Achamos importante que você expresse sua opinião sobre este trabalho, mas discordamos dela, e acho essa discussão muito importante.
Desde o início, quando recebemos o texto do Rafael Vogt, nos surpreendemos com a estranheza que o texto traz. Afinal, do que se tratava o texto? E, de que forma ele o faz? E que abordagem ele quis propor, simbólica ou realista? E então fomos também entender quem é Rafael Vogt. Descobrimos que ele participou do Núcleo de Dramaturgia do CPT, onde teve um outro texto seu publicado naquele livro do Núcleo pelo SESC, “Os Banhistas”. E que o próprio Antunes, intrigado por aquele texto publicado, tentou várias vezes montá-lo sem sucesso. Lemos também “Os Banhistas” e cogitamos encená-lo aqui. Mas decidimos pelo “Esquecendo Wimbledon” por ser curto e aparentemente mais simples.
Acho que “Esquecendo Wimbledon” tem uma estranheza boa, intrigante, original enfim. Achei também um grande desafio para o Teatro Para Alguém encenar esta peça, e tentar trazer aquele universo comum aos dois textos do escritor: aquele local estranho, abandonado e vazio. E que mesmo com a passagem do tempo, resiste em existir. Pode ser que em termos narrativos nada muito especial aconteça nesse tempo todo. Mas… precisa acontecer? Acho bacana como o texto evita falar diretamente do que é o mais importante (o antes e o depois do que é narrado), e apenas o sugere através do presente, repito, anacrônico e estranho. Achamos também que a peça radiofônica nos sensibilizaria para a importância do som como um dos elementos dramáticos fundamentais. E por fim, decidimos chamar a atriz e cineasta Sabrina Greve, veterana do CPT para encenar esta peça. Sabrina, que transita com facilidade incomum entre o Teatro e o Cinema, optou por trazer um olhar cinematográfico, minimalista, perfeito para este trabalho.
Todas estas características estão presentes no trabalho, em graus diferentes. Com todos os erros naturais de uma apresentação ao vivo, em plano-seqüência, sem cortes e retoques, mas com a vibração da apresentação de teatro, no ato sublime e efêmero que ousamos perpetuar. Mas estamos satisfeitos pelo que conquistamos, como experimentação, risco e aprendizado. E queremos bancar este risco. O de nos aproximarmos de uma linguagem mais audiovisual (mesmo que se confunda aparentemente com uma estética “novelística”) mas negando a superficialidade esperada, e trazendo novamente o estranhamento.
E vem mais ainda: daqui a alguns dias postaremos uma versão de “Esquecendo Wimbledon” com cortes montados pela própria Sabrina. Aguardem.
Olá pessoal. Parabéns pelo trabalho. É incrível poder ter acesso (de maneira gratuita) a produções com pessoas tão bacanas e textos premiados! Parabéns Rafael pelo trabalho. Parabéns ao atores. Devo confessar que me surpreendi com a atuação do Alexandre.
Eu estou conhecendo o projeto agora. E só fiquei sabendo por meio do Guia do Estadão. Adorei! Agora tenho que correr pq está para começar Por Conta da Casa, rs.
Para que tanta citação, se o trabalho não vale nada? Achei uma bosta pretensiosa e vazia. Vou estar Esquecendo…