Archive for the ‘engasgos’ Category

O Prêmio Shell mais especial

Monday, February 8th, 2010

Nós da Cia. Auto-Mecânica de Teatro iniciamos o ano em festa com a indicação ao 22º Prêmio Shell de Teatro, no qual estamos concorrendo na Categoria Especial. Especial porque na verdade esta indicação é um prêmio para o trabalho coletivo que representa o espírito de nosso tempo.

Vivemos um admirável mundo novo, em que temos ao nosso alcance todos os meios disponíveis para criarmos nossa Arte. Temos gratuitamente e-mails, Youtube, Blogs, Redes Sociais, Wikipedias, Códigos Livres, Servidores de Streaming, Flickr e até Banda Larga. A digitalização dos equipamentos de fotografia e cinema também popularizou o fazer artístico e tornou acessíveis a todos um fluxo de trabalho que antes era proibitivo. Hoje qualquer telefone celular tem uma câmera fotográfica que já é melhor do que a primeira câmera digital que eu tive. E muitos deles ainda filmam com grande qualidade. No Cinema e na Publicidade, muitos profissionais estão fascinados com as câmeras fotográficas profissionais que filmam em altíssima qualidade. Finalmente, a profecia de Glauber Rocha se tornou realidade: Estamos numa época em que basta “Uma idéia na cabeça e uma câmera (ou celular) na mão”. Todo o resto está aí, esperando ser utilizado.

E dezenas de artistas e técnicos perceberam isto e se dedicaram ao nosso projeto ao longo de mais de um ano de intenso trabalho. Mesmo sem patrocínio algum, todos eles doaram seus talentos para que chegássemos ao fim deste primeiro ano de Teatro Para Alguém, entendendo o espírito da Internet, resumido em alguns fundamentos: a liberdade criativa, a livre doação e circulação do trabalho colaborativo e democrático. São guerrilheiros que entenderam o legado que Cildo Meireles deixou nas artes plásticas quando se utilizou das garrafas de Coca-Cola para fazer circular mensagens contra o sistema político e econômico vigente àquela época. Só que hoje tudo é mais fácil ainda: Temos tanto a liberdade como os instrumentos à mão, sem o risco de repressão política da época.

Por tudo isso queremos deixar público que esta indicação não é só para a Cia. Auto-Mecânica de Teatro. É especialmente um prêmio para todos os “malucos” que entenderam que a Arte hoje transcende todos os conceitos já antiquados: de Teatro, de Ingresso, de Palco, de Cinema, de Indústria Cultural, de todos os ismos. Uma parte desta relação está abaixo. Para eles, todos os prêmios possíveis e o registro da eternidade digital.

É um grande prazer ver nomes tão especiais juntos em apenas um ano. Obrigado!

Abel Martins de Saint Falbo

Adelina Estrella

Alberto Guzik

Alessandra Fratus

Alexandre Bacci

Aline Lopes

Amazyles Almeida

Ana Andreatta

Ana Elisa Carramaschi Vilela

Andréia Horta

Ângela Dip

Anne Cerutti

Antônio Croda Chies

Antônio Januzelli

Antônio Prata

Antônio Apolinário

Antônio Petrin

Ariela Goldmann

Arrigo Barnabé

Cacá Bernardes

Carla Faour

Carlos Careqa

Carlos Rodrigues

Carol Leiderfarb

Carolina Barranco

Celso Curi

Claudinei Brandão

Cléo de Páris

Cris Socci

Cynthia Becker

Daniel Tavarez

Danilo Camargo

Danilo Marques

Danilo Solferini

Donizeti Mazonas

Drika Rebeschini

Edu Brisa

Eduardo Baszczyn

Elias Andreato

Érica Knapp

Everli Santos

Fabio Penna

Felipe Barenco

Felipe de Moraes

Felipe Herzog

Fernanda Jaber

Fernando Catelan

Gabrielle Lopez

Gilda Nomacce

Gisele Inácio

Gustavo de Souza

Gustavo Gonçalves

Heitor Goldflus

Helena Ignez

Heloisa Pait

Henrique Reganatti

Iara Jamra

Igor Angelkorte

Índigo

Irene Sinnecker Levin

Iva Inez

Ivan Marchini

Izabel Lima

Jaime Saraiva

Jefferson Schroeder

Jether Bineli

Jeyne Stakflett

Jô Bilac

Julia Spadaccini

José Cetra

José Luiz Sampaio

José Mojica Marins

Juliana Bender

Julius Cesar Conforti

Julyane Bodini

Laerte Késsimos

Larissa Câmara

Laura Huzak Andreato

Leandro Lopes

Lenny Dark

Lianna Matheus

Lucas Barreto

Luis Rossi

Luiz Antonio Fortes

Lourenço Mutarelli

Loreana Valentini

Lucas Pretti

Luis Eduardo

Luise Cohen

Lulu Pavarin

Maíra Suzuki

Manuela Cardoso

Marcello Jordan

Marcelo Barillari

Marcelo Lahan

Marco Antônio Braz

Marco Catalão

Marco Túlio Garcia

Marcos Gomes

Marcos Medeiros

Maria Cuca

Maria Manoella

Mário Bortolotto

Marta Góes

Maurício Tibiriçá

Mauro Schames

Mayara Lopes

Melissa Schleich

Michelle Gonçalves

Milena Szafir

Miriam Mehler

Nadya Millano

Neusa Mafer

Nilton Bicudo

Nilton Rosa

Paula Alexander

Paula Parisot

Paula Picarelli

Paulo Bordhin

Paulo César Peréio

Paulo Cunha

Priscila Gontijo

Radja Lins

Rafael Carvalho

Rafael Vogt Maia Rosa

Renata Mizrahi

Rene Brasil

Richard C. Haber

Roberto Cohen Junior

Roberto de Alencar

Sabrina Greve

Sabrina Orthmann

Sérgio Roveri

Sílvia Faro

Sílvio Restiffe

Tadeu Parrillo Frede

Tamayo Nazarian

Tatiana Guimarães

Thadeu Wojciechowski

Umanto

Zemanuel Piñero

Verenna Gorostiaga

Wagner Montes

Yara de Novaes

Zeca Bittencourt

Teatro Para Alguém, um projeto da Cia. Auto-Mecânica de Teatro:

Renata Jesion, Nelson Kao, Lucas Pretti, Luciana Siqueira e Márcio Ferreira.

Que Mário?

Wednesday, December 16th, 2009

Mas … dentro do armário? Pois é. O Bortolotto com seu humor peculiar não deixaria a gente fazer um post sem deboche. Queremos que ele saia logo do armário. Com seus personagens marginais, ele sempre riu com seus heróis fracassados em invisíveis batalhas pessoais dentro do submundo. E todos nós nada mais somos do que isso. Artistas escondidos no armário da Praça Roosevelt, na falta de um lugar melhor para ir. O que fazemos lá? Nossas lutas diárias. Realizamos nossos espetáculos, discutimos os processos de trabalho, bebemos um pouco para esquecer a dor e tentar descobrir uma solução revolucionária para o mundo.

No entanto, este movimento não deve ser confundido com exuberância. A Classe Teatral é pobre, feia e suja. Desarticulada. Esfomeada. Corre o dia todo atrás de editais, SESCs, Secretarias de Cultura, e aceita qualquer trocado para continuar o circo. A pão.

Como alguém pode assaltar um teatro da Praça Roosevelt? Não temos nada para sermos assaltados. Basta entrar no prestigioso Espaço dos Satyros e ver suas instalações para constatarem o quanto somos ricos.

José Mojica Marins, Renata Jesion e Mário Bortolotto em Corpo Estranho 2

José Mojica Marins, Renata Jesion e Mário Bortolotto em Corpo Estranho 2

Pelo Mário finalmente nos mobilizamos. Mas precisamos ir além. Precisamos de segurança. Postos policiais permanentes. Iluminação pública adequada, nos dois lados da Praça. Alvarás para funcionamento dos bares. Queremos as obras de reurbanização, que há mais de 20 anos nunca saíram do papel. Queremos receber os valores dos editais sem cortes depois de aprovados. Queremos incentivos permanentes para criarmos vida em outros lugares a exemplo do que fizemos na Praça Roosevelt. Bairros antes abandonados como a Barra Funda hoje são pólos de cultura e de vida social. Isso mostra como o nosso trabalho tem valor público, e retorna para a sociedade sob a forma de transformação e bem-estar social.

E precisamos do apoio da esfera pública e da população para continuarmos a disseminar alegria e sairmos, cada vez mais do armário. Viva Bortolotto!

Quem puder ajudar a família do dramaturgo, por favor, faça uma doação para a conta da mãe de sua filha:
CHRISTINE DO CARMO VIANA
Banco UNIBANCO, agênca 0935, conta poupança 127721-6

Quem puder doar sangue:
Santa Casa, Rua Cesário Motta Jr, 112, Centro.

TPA no Rio, parceria com o Drama Diário e telão no t1K

Friday, December 4th, 2009

Neste fim de semana (sábado, 5, e domingo, 6/12) três coisas bem importantes acontecerão no Teatro Para Alguém:

1) Faremos a primeira transmissão ao vivo de peças fora da nossa sede, em São Paulo. Estaremos eu, o Kao e a Ale Fratus (mais nossas câmeras e notebooks) no Rio para encenar textos do blog Drama Diário (detalhes da parceria, abaixo).

2) Daremos continuidade aos projetos de parcerias, que iniciamos em julho com o Núcleo de Dramaturgia do SESI-British Council. Dessa vez são sete dramaturgos cariocas (Carla Faour, Larissa Câmara, Camilo Pellegrini, Felipe Barenco, Renata Mizrahi, Jô Bilac e Julia Spadaccini), que escrevem diariamente no Drama Diário sobre temas semanais. O tema escolhido para os textos no TPA foi “internet” – e os textos já foram postados durante a semana. As cenas serão exibidas ao vivo online em sequência, às 21h e às 22h no sábado (5), e só às 21h no domingo (6). Assista neste link ou clicando em Quarto na casa principal.

3) Faremos uma transmissão remota para uma plateia física, de verdade, não virtual. O Teatro Para Alguém participará do evento Twitter 1K – um encontro de twitteiros com mais de 1.000 seguidores no The Hub, escritório de cultura digital em São Paulo. Um telão mostrará a peça às 22h de sábado (5) para quem estiver por lá. É a primeira vez oficialmente que os espectadores do TPA se encontram e assistem a uma peça nova juntos.

Legal tudo isso, né?

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Abaixo, reproduzo o texto publicado no Drama Diário apresentando a parceria:

DRAMA DIÁRIO E TEATRO PARA ALGUÉM

Queridos leitores,

Neste final de semana (sábado e domingo, 21h) serão transmitidos ao vivo pelo site Teatro para Alguém de São Paulo, as cenas publicadas aqui com o tema INTERNET. Confiram o site
http://www.teatroparaalguem.com.br

Esta parceria é resultado de uma matéria realizada pela Folha de São Paulo que falava sobre projetos que linkavam teatro e internet: o carioca Drama Diário e o paulista Teatro para Alguém.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u603083.shtml

É com muita alegria que concretizamos esta parceria e convidamos a todos para conferirem ao vivo como será esta experiência. As cenas serão gravadas em dois espaços: Studio Escola de Atores, em Laranjeiras, no sábado; e no domingo no IBAM, em parceria com o projeto A cena da cidade.

A exibição acontecerá em tempo real pelo site do Teatro para Alguém e para uma platéia em São Paulo que acompanhará a gravação através de um telão.

No elenco IGOR ALGELKORTE, JEFFERSON SCHROEDER, JULIANA BENDER, JULYANE BODINI, LUIZ ANTONIO FORTES E PAULA ALEXANDER.

Direção das cenas FELIPE BARENCO e supervisão de direção FELIPE HERZOG. Produção FELIPE BARENCO E FELIPE HERZOG.

Agradecimentos especiais MARIA GRIFTH, NATASHA CORBELINO E SONAIRA D´AVILA

Avisem a Carolina, por favor!!!

Saturday, August 1st, 2009

Infelizmente tenho que continuar com a série “Avisem!!!”
Para avisar as pessoas que existe o Teatro Para Alguém, pois muita gente ainda acha que está inventando a roda!
Vejam:

http://www.youtube.com/user/historiasdeamorcf

e comparem com o trabalho de grupos como:

http://www.gag.art.br/cia_phila_7/
http://dramadiario.com/
http://homepages.ulb.ac.be/~rgeerts/theaterinternet/10virtueeltheater.html

A criação de espetáculos na Internet é uma coisa muito mais antiga, rica e efervescente do que se imagina. Este crescimento está se popularizando, e daqui a pouco será tão forte e rico que a Internet será um meio único, pois colaborativo por natureza. E nesse mundo digital, trocar é muito mais interessante do que iniciativas individuais. Na rede, é dividindo que se multiplica.

Segunda leva de fotos do Corpo Estranho 2

Monday, July 13th, 2009

Ontem terminamos as filmagens de Corpo Estranho 2. Uma mistura de felicidade, alívio e apreensão. Se por um lado encerramos este período tão especial, envolvidos com profissionais incríveis de todos os campos (atores, criadores e técnica), agora fica o medo de ver o material bruto, sem saber se fomos capazes de dar conta do recado no nível que desejávamos ou não.
Estas fotos, atrapalhadas como estão, refletem este estado de espírito. São fotos de quem estava completamente imerso no processo, incapaz de diferenciar (ou, às vezes, sequer entender) o que estava acontecendo, pois estávamos completamente em processo, no olho do furacão. Agora, ao resgatar as imagens, começo um trabalho de rever, reconhecer e redescobrir o que aconteceu.
Diferentemente das fotos da Alessandra, acho que estas são, puramente falando, menos fotográficas, imagéticas. A imagem fotográfica tem sua gramática própria, suas regras, suas nuances. Formas, movimento, composição, contraste, linhas, cores. Geralmente estes elementos são até mais importantes do que o próprio assunto retratado, pois essa é a essência da fotografia, aquilo que a diferencia das outras artes. No entanto, eu peco aqui pelo contrário. Muitas vezes o assunto predomina, o tempo para fotografar é tão ínfimo que e estamos tão ocupados preparando o espetáculo (ou dele participando, quando estou filmando) que para mim é muito difícil separar a emoção do momento e transcender o seu registro. Não quero aqui me desculpar, ou diminuir o seu valor. Espero o contrário, que eu seja capaz de transmitir com elas a emoção que foi cada um dos episódios, sua pulsação, nossas crises, nossas dúvidas, nossas tentativas e acertos. Espero que apreciem e que, mais tarde, possamos compreender através delas o que é e como foi este novo Corpo Estranho dentro de cada um de nós. Corpos pulsantes, sempre vivos, de criação, suor e loucura, que iremos descobrir juntos à medida que eu for selecionando as fotos, as quais serão publicadas aqui imediatamente, logo em seguida.

Avisem o Selton, por favor!!!

Friday, June 26th, 2009

Recebi esta semana a Revista da TVA/Telefônica “Imagine”. Na capa, o Selton Mello diz “Quero criar alguma coisa para a Internet que seja vista por milhões”.

Caramba, tenho que ler isto!!! Abro a revista correndo. É uma resposta a uma pergunta de uma internauta, Lucio Gomes, de RJ: “A Internet mudou a indústria da música. Como diretor e espectador, como vê essa mesma mudança chegando à indústria do cinema?” Ao qual ele responde: “No cinema, a Internet mudou mais a forma de divulgar filmes. E tenho vontade de experimentar fazer algo de ficção para ser exibido diretamente na web. Uma websérie. Já, já eu apareço com uma coisa nesse sentido. Tenho pensado muito a respeito. Alguns filmes que fiz foram vistos por 30 mil,50 mil espectadores, enquanto que coisas no Youtube são assistidas por milhões. Está na hora de ao menos pensar nisso, certo?”…

Certo, Selton. Venha você também para o Teatro Para Alguém. A gente está te esperando. Alguém pode fazer o favor de avisá-lo pra entrar em contato com a gente urgentemente?

Viva a democracia! Mas viva mais ainda o que se tem conteúdo!

Friday, June 5th, 2009

No final dos anos 80 até meados dos anos 90 a gente escutava frases como: “Bebida é água”. “Comida é pasto”. “Você tem fome de quê?”. “Você tem sede de quê?”.

Intuitivamente nós tínhamos sede e fome do que estava por vir. Estávamos à procura de algo, de alguém que dissesse a nossa língua, de fricções coletivas seja elas quais fossem.

Meados da década de 90 todos nós já tínhamos computadores. Navegávamos e descobríamos cada vez mais, mais vida inteligente na era da internet, mais games e mais sites pornôs. Como éramos e nos sentíamos astutos!!!

E hoje?

Hoje!

Hoje temos tudo. Continuamos astutos. Somos filhos dependentes do Google, Orkut, Youtube, Twitter…sem eles não vivemos porra!

Mas que estranho isso! 80% do que se tem num Youtube ou num Orkut da vida, é nada! Digo “nada” com a certeza de que estou usando a palavra certa. Digo nada me baseando no que me faz perder tempo dando downloads desnecessários. Lendo que o Rodrigo vai entrar no banho as 10:35 h e que só poderá falar com a Marcela as 11 h. Por quê? Por que tenho que perder meu tempo lendo isso? Mas espera aí! Nada mais democrático que a internet. Sou eu quem escolho o que vou ler ou ver. Desculpe as contradições. Pra você entender melhor onde quero chegar com esse engasgo, é simples: Viva a democracia! Mas viva mais ainda o que se tem conteúdo! Se não, a gente vai passar uma década perguntando: Se bebida é água e se comida é pasto, você caga o quê?

Seis meses de TPA

Sunday, May 31st, 2009

Quando lançamos o Teatro Para Alguém sentia que estávamos nos precipitando, fazendo algo que não sabíamos direito o que era. Mas a Rê insistiu e decidiu estreiar do jeito que estava, em Novembro de 2008. Afinal, fazia quase um ano que ficávamos discutindo como fazer e ela não aguentava mais esperar.

Hoje muita coisa mudou. Encontramos muitos parceiros, gente dedicada a trabalhar por quase nada, gente que não gostou (e nunca viu), gente que vê sempre e estranhou que não publicamos nada na véspera do Natal, gente que nunca entendeu nada do que estamos fazendo.

Mas hoje já temos muitas certezas. Continuamos achando que Teatro filmado é muito chato. Pela telinha do computador, esperando o download e dando paus homéricos, pior ainda. Mas então, por que continuar?

Porque acreditamos no que estamos fazendo, intuitivamente. Muitas pessoas que se juntaram a nós disseram que trabalhar no nosso site era a coisa que mais lhes davam prazer. Loucos profetas trouxeram a esperança de uma revolução cultural via Internet. As Lan Houses hoje espalhadas pelo país seriam os quilombos de onde qualquer um poderia gerar conteúdo para a futura IPTV, acabando com a oligarquização dos meios de comunicação de massa.

Lindo, lindo, mas por enquanto a ideologia ainda não trouxe um centavo sequer para o site, mesmo que a gente consiga produzir com muito, mas muito menos mesmo que qualquer produtora ou TV (e com qualidade igual ou melhor, diga-se de passagem). Os maiores dramaturgos da atualidade cederam seus textos para nossa encenação. Cansamos de contar quantos artistas daqui já ganharam prêmios Shell, Mel, Uéu. São pessoas que sabem que, muito mais do que prêmios, precisamos comunicar com pessoas, público, artistas, empresários, comunidades, países que acreditam na renovação e ousadia das linguagens teatral e audiovisual.

Por isso vamos indo. Estamos começando a trabalhar a segunda temporada de Corpo Estranho, com uma equipe maior ainda e um corpo técnico aprimorado. O time de campeões já tem muito mais que vinte e dois em campo, malucos que, vendo a bola rolar, entram no jogo somente pela alegria de ver seu trabalho sendo valorizado, de se divertir e se jogar no grande campo do mundo e da liberdade.

Estamos preparando grandes novidades no site, que serão implementadas à medida que ficarem prontas. E começamos aqui, neste Blog. Aqui queremos abrir para todos nossas dúvidas, certezas, o processo de criação, os dilemas que surgem no caminho com todos vocês, espectadores, leitores, artistas que visitam e circulam pela casa. Pela nossa casa. Afinal, estamos desbranvando uma seara nova para todos. Os malucos, os oligarcas, os campeões, os derrotados, os internautas e os anti-tecnólogos, os premiados, os quilombolas, os jogadores, os virtuais e reais, públicos, parceiros, cúmplices ou inimigos. Sejam benvindos sempre.

Nelson Kao