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Avisem o Selton, por favor!!!

Friday, June 26th, 2009

Recebi esta semana a Revista da TVA/Telefônica “Imagine”. Na capa, o Selton Mello diz “Quero criar alguma coisa para a Internet que seja vista por milhões”.

Caramba, tenho que ler isto!!! Abro a revista correndo. É uma resposta a uma pergunta de uma internauta, Lucio Gomes, de RJ: “A Internet mudou a indústria da música. Como diretor e espectador, como vê essa mesma mudança chegando à indústria do cinema?” Ao qual ele responde: “No cinema, a Internet mudou mais a forma de divulgar filmes. E tenho vontade de experimentar fazer algo de ficção para ser exibido diretamente na web. Uma websérie. Já, já eu apareço com uma coisa nesse sentido. Tenho pensado muito a respeito. Alguns filmes que fiz foram vistos por 30 mil,50 mil espectadores, enquanto que coisas no Youtube são assistidas por milhões. Está na hora de ao menos pensar nisso, certo?”…

Certo, Selton. Venha você também para o Teatro Para Alguém. A gente está te esperando. Alguém pode fazer o favor de avisá-lo pra entrar em contato com a gente urgentemente?

Novas filmagens, grandes dúvidas.

Monday, June 22nd, 2009

Após trabalhar alguns anos no Teatro da Vertigem eu aprendi o valor positivo dos conflitos. Lá eu vivenciei os choques entre os locais de encenação que trazem a realidade do locus (igreja, hospital, presídio, Rio Tietê) em contraposição à realidade fictícia do teatro e sua linguagem sintética e simbólica. O choque entre escritores que não são dramaturgos de teatro experimentando os palcos. O choque entre as criatividades individuais em uma realização coletiva/colaborativa… E acho que intuitivamente trouxe aqui esta postura, ao estabelecer como uma meta do TPA a fricção criativa (expressão que eu aprendi com o Antônio Araújo) entre profissionais de áreas tão complementares quanto distantes: teatro e cinema. (Aqui também temos os conflitos dos escritores que nunca fizeram um espeteaculo para teatro, mas isso é assunto para mais um futuro e imenso post…)

E agora que começamos os trabalhos para o Corpo Estranho 2 com uma nova equipe, já tivemos diversas e acaloradas discussões.

Vejam, por exemplo, os desabafos acalorados de nosso diretor, Danilo Marques, em seu Blog.

Porque aqui estamos abertos a experimentações, portanto existem regras, mas elas são bastante flexíveis. E, ao longo destas experimentações descobrimos que existem culturas absolutamente diferentes, quase intransponíveis entre os dois mundos, que aqui simplifico como a primazia do Ator (Teatro) versus a primazia da técnica (Cinema).

Talvez a primazia do ator seja fruto de um modelo estético adotado para a sobrevivência do Teatro no Brasil. Afinal, estamos num país que valoriza pouco a Cultura, e portanto, sobra muito pouco para se investir nela, e menos especificamente no Teatro, que possui menor visibilidade em relação a outras artes com mídias muito mais poderosas, como a TV e o Cinema. E como o orçamento para a produção de espetáculos geralmente é muito restrito, privilegia-se o ator em detrimento a todo o resto (cenografia, iluminação, maquiagem), pois fica-se no fundamental para que a ação teatral ocorra. O ator, no teatro, é o único elemento que não pode ser economizado. Ele é o rei. As máquinas precisam se adaptar ao ator.

No audiovisual, no entanto, tudo passa pelas lentes de uma câmera. Cuja diária geralmente custa muito mais que a do ator. Isso sem contar nas diárias de toda a equipe. Operadores, maquinistas, diretores disso, diretores daquilo, assistente do diretor disso e daquilo… A técnica é tão cara que ela vira a prioridade. O ator precisa se submeter ao tempo da técnica, das máquinas.

Aqui então surge o primeiro ponto que quero trazer à tona: a dificuldade de adaptação que ocorre entre ambas as partes, os profissionais do audiovisual, com a cultura da técnica em direto confronto com os profissionais de teatro, com a cultura do ator. Ambos sofremos no processo de “Socorro…”, pois cada um tinha a sua cultura.

Existe um tempo necessário para a técnica que o ator ou o diretor de teatro não entende. Uma câmera, por melhor que seja, nunca é tão boa como o olho humano. Precisa de uma série de ajustes para chegar a um resultado que nem de perto consegue traduzir todas as sensações do momento. Muitas vezes a visão através de uma câmera já é empobrecedora, ainda mais numa telinha pequena e bidimensional de um computador. Isso sem contar com a ausência do cheiro, do tato, de todos os outros sentidos que nunca poderão ser transmitidos através de máquinas. Por isso a técnica precisa de tempo. De planejamento. De setups e presets. De codecs. De equipamentos. De ensaios e ensaios técnicos. Afinal, a câmera também é mais um ator. O ator invisível que, muitas vezes, é o olhar subjetivo do espectador.

Uma vez ouvi uma historinha, dessas que a gente nunca sabe se é mito ou não: Disseram a um grande fotógrafo que ele era um exímio contador de histórias. Que ele conseguia criar imagens extremamente belas e sensíveis, e, portanto, que ele conseguia transmitir com uma facilidade enorme sensações muito profundas e de uma forma sintética, direta. Ele respondeu que ele nunca se achou uma pessoa capaz de se exprimir com facilidade, ao contrário do que todos pensavam. Afinal, se ele fosse tão bom pra dizer o que queria, não precisaria carregar tantos equipamentos consigo para dizer apenas uma única imagem.

Seis meses de TPA

Sunday, May 31st, 2009

Quando lançamos o Teatro Para Alguém sentia que estávamos nos precipitando, fazendo algo que não sabíamos direito o que era. Mas a Rê insistiu e decidiu estreiar do jeito que estava, em Novembro de 2008. Afinal, fazia quase um ano que ficávamos discutindo como fazer e ela não aguentava mais esperar.

Hoje muita coisa mudou. Encontramos muitos parceiros, gente dedicada a trabalhar por quase nada, gente que não gostou (e nunca viu), gente que vê sempre e estranhou que não publicamos nada na véspera do Natal, gente que nunca entendeu nada do que estamos fazendo.

Mas hoje já temos muitas certezas. Continuamos achando que Teatro filmado é muito chato. Pela telinha do computador, esperando o download e dando paus homéricos, pior ainda. Mas então, por que continuar?

Porque acreditamos no que estamos fazendo, intuitivamente. Muitas pessoas que se juntaram a nós disseram que trabalhar no nosso site era a coisa que mais lhes davam prazer. Loucos profetas trouxeram a esperança de uma revolução cultural via Internet. As Lan Houses hoje espalhadas pelo país seriam os quilombos de onde qualquer um poderia gerar conteúdo para a futura IPTV, acabando com a oligarquização dos meios de comunicação de massa.

Lindo, lindo, mas por enquanto a ideologia ainda não trouxe um centavo sequer para o site, mesmo que a gente consiga produzir com muito, mas muito menos mesmo que qualquer produtora ou TV (e com qualidade igual ou melhor, diga-se de passagem). Os maiores dramaturgos da atualidade cederam seus textos para nossa encenação. Cansamos de contar quantos artistas daqui já ganharam prêmios Shell, Mel, Uéu. São pessoas que sabem que, muito mais do que prêmios, precisamos comunicar com pessoas, público, artistas, empresários, comunidades, países que acreditam na renovação e ousadia das linguagens teatral e audiovisual.

Por isso vamos indo. Estamos começando a trabalhar a segunda temporada de Corpo Estranho, com uma equipe maior ainda e um corpo técnico aprimorado. O time de campeões já tem muito mais que vinte e dois em campo, malucos que, vendo a bola rolar, entram no jogo somente pela alegria de ver seu trabalho sendo valorizado, de se divertir e se jogar no grande campo do mundo e da liberdade.

Estamos preparando grandes novidades no site, que serão implementadas à medida que ficarem prontas. E começamos aqui, neste Blog. Aqui queremos abrir para todos nossas dúvidas, certezas, o processo de criação, os dilemas que surgem no caminho com todos vocês, espectadores, leitores, artistas que visitam e circulam pela casa. Pela nossa casa. Afinal, estamos desbranvando uma seara nova para todos. Os malucos, os oligarcas, os campeões, os derrotados, os internautas e os anti-tecnólogos, os premiados, os quilombolas, os jogadores, os virtuais e reais, públicos, parceiros, cúmplices ou inimigos. Sejam benvindos sempre.

Nelson Kao