Posts Tagged ‘teatro digital’

Helô Pait e o ‘Corpo Estranho’

Saturday, November 7th, 2009

Melhor Que A Clarice Lispector_0062

A Renata me pediu para listar o texto que a Heloisa Pait (à esquerda, acima, com a atriz Priscila Gontijo) escreveu sobre ‘Corpo Estranho’ na seção Na Mídia (ali no Hall). Mas a Helô é mais de casa do que alguém que escreve sobre ou critica o Teatro Para Alguém. Então resolvi reproduzir aqui (com o link para o original):

Novela ao avesso

Acabei um artigo complicado e agora posso escrever no blog. Hoje é sobre o Teatro para Alguém. Participei de um espetáculo há duas semanas, então não preciso ser isenta, sou parte da turma. E vou jogar confete.

Nem poderia ser isenta, pois sou fã da Renata desde que ela era rainha da patinação na Hebraica. Mas eu não apostava muito no Teatro pela Internet, afinal que meio é esse? Tinha baixado uma Dona Carlota em mim, e eu perguntava: é teatro, é filme, é internet? Afinal de contas, o que você fazzz?

Quando vi como ficou legal o Melhor que a Clarice Lispector eu perguntei para o Lucas: e esse Corpo Estranho, o que é, hein? Chorei de rir só com a sinopse. Tem um bar dos sósias, ele me contou. Um bar onde vão só sósias.

Disse para o Lucas ler o Gigante Burocrator, de autoria de meu irmão, que seria uma espécie de Lourenço Mutarelli da Poli. Ele não esperou o meu email – eu estava por conta do artigo supra mencionado – e achou na internet, leu e adorou. Legal!

E eu fui checar o tal Corpo Estranho, do Mutarelli ele mesmo, o que escreveu O Cheiro do Ralo, com o Selton Mello. A Renata disse: é o universo dele mesmo, ele é assim. O que só confirma minha suspeita que artista não inventa nada. A gente só conta pros outros onde vive de verdade.

Bom, chega de entretantos. A Renata que falou: é uma novela. No espisódio 7 da primeira temporada, por exemplo, tem um papo de casal discutindo a relação. Que nem novela. Mas é do avesso. Os assuntos bizarros, um creme vaginal, o bar dos sósias. Maravilha.

No episódio 9 a cena do médico mostrando o pé descalço como numa tirinha, e a gente rindo como ri de tirinha. Mas ri angustiado, que trama bizarra. Novela, teatro, tira, cinema, sei lá.

Só sei que eu parava de escrever o artigo e falava: ah, mais um episódiozinho. Só mais um. Depois eu volto, é até bom, risada faz bem pro cérebro e eu vou escrever melhor depois. Então fui vendo um a um, tipo novela, contente com o gancho.

E o melhor é que ainda tem a segunda temporada!

Veja também o depoimento da Helô sobre seu texto aqui.

Primeiras fotos do Corpo Estranho 2, por Alessandra Fratus

Saturday, July 11th, 2009

É uma delícia encontrar pessoas como esta em nossas vidas. Um dia ela me escreveu dizendo: Posso ir aí fotografar o TPA? Eu disse: Claro!

Ela veio… e ficou!!!

Colocando cortinas, carregando cenários, e, lógico, fotografando muito…

Que bom para todos nós!!! Confiram:

Avisem o Selton, por favor!!!

Friday, June 26th, 2009

Recebi esta semana a Revista da TVA/Telefônica “Imagine”. Na capa, o Selton Mello diz “Quero criar alguma coisa para a Internet que seja vista por milhões”.

Caramba, tenho que ler isto!!! Abro a revista correndo. É uma resposta a uma pergunta de uma internauta, Lucio Gomes, de RJ: “A Internet mudou a indústria da música. Como diretor e espectador, como vê essa mesma mudança chegando à indústria do cinema?” Ao qual ele responde: “No cinema, a Internet mudou mais a forma de divulgar filmes. E tenho vontade de experimentar fazer algo de ficção para ser exibido diretamente na web. Uma websérie. Já, já eu apareço com uma coisa nesse sentido. Tenho pensado muito a respeito. Alguns filmes que fiz foram vistos por 30 mil,50 mil espectadores, enquanto que coisas no Youtube são assistidas por milhões. Está na hora de ao menos pensar nisso, certo?”…

Certo, Selton. Venha você também para o Teatro Para Alguém. A gente está te esperando. Alguém pode fazer o favor de avisá-lo pra entrar em contato com a gente urgentemente?

Novas filmagens, grandes dúvidas.

Monday, June 22nd, 2009

Após trabalhar alguns anos no Teatro da Vertigem eu aprendi o valor positivo dos conflitos. Lá eu vivenciei os choques entre os locais de encenação que trazem a realidade do locus (igreja, hospital, presídio, Rio Tietê) em contraposição à realidade fictícia do teatro e sua linguagem sintética e simbólica. O choque entre escritores que não são dramaturgos de teatro experimentando os palcos. O choque entre as criatividades individuais em uma realização coletiva/colaborativa… E acho que intuitivamente trouxe aqui esta postura, ao estabelecer como uma meta do TPA a fricção criativa (expressão que eu aprendi com o Antônio Araújo) entre profissionais de áreas tão complementares quanto distantes: teatro e cinema. (Aqui também temos os conflitos dos escritores que nunca fizeram um espeteaculo para teatro, mas isso é assunto para mais um futuro e imenso post…)

E agora que começamos os trabalhos para o Corpo Estranho 2 com uma nova equipe, já tivemos diversas e acaloradas discussões.

Vejam, por exemplo, os desabafos acalorados de nosso diretor, Danilo Marques, em seu Blog.

Porque aqui estamos abertos a experimentações, portanto existem regras, mas elas são bastante flexíveis. E, ao longo destas experimentações descobrimos que existem culturas absolutamente diferentes, quase intransponíveis entre os dois mundos, que aqui simplifico como a primazia do Ator (Teatro) versus a primazia da técnica (Cinema).

Talvez a primazia do ator seja fruto de um modelo estético adotado para a sobrevivência do Teatro no Brasil. Afinal, estamos num país que valoriza pouco a Cultura, e portanto, sobra muito pouco para se investir nela, e menos especificamente no Teatro, que possui menor visibilidade em relação a outras artes com mídias muito mais poderosas, como a TV e o Cinema. E como o orçamento para a produção de espetáculos geralmente é muito restrito, privilegia-se o ator em detrimento a todo o resto (cenografia, iluminação, maquiagem), pois fica-se no fundamental para que a ação teatral ocorra. O ator, no teatro, é o único elemento que não pode ser economizado. Ele é o rei. As máquinas precisam se adaptar ao ator.

No audiovisual, no entanto, tudo passa pelas lentes de uma câmera. Cuja diária geralmente custa muito mais que a do ator. Isso sem contar nas diárias de toda a equipe. Operadores, maquinistas, diretores disso, diretores daquilo, assistente do diretor disso e daquilo… A técnica é tão cara que ela vira a prioridade. O ator precisa se submeter ao tempo da técnica, das máquinas.

Aqui então surge o primeiro ponto que quero trazer à tona: a dificuldade de adaptação que ocorre entre ambas as partes, os profissionais do audiovisual, com a cultura da técnica em direto confronto com os profissionais de teatro, com a cultura do ator. Ambos sofremos no processo de “Socorro…”, pois cada um tinha a sua cultura.

Existe um tempo necessário para a técnica que o ator ou o diretor de teatro não entende. Uma câmera, por melhor que seja, nunca é tão boa como o olho humano. Precisa de uma série de ajustes para chegar a um resultado que nem de perto consegue traduzir todas as sensações do momento. Muitas vezes a visão através de uma câmera já é empobrecedora, ainda mais numa telinha pequena e bidimensional de um computador. Isso sem contar com a ausência do cheiro, do tato, de todos os outros sentidos que nunca poderão ser transmitidos através de máquinas. Por isso a técnica precisa de tempo. De planejamento. De setups e presets. De codecs. De equipamentos. De ensaios e ensaios técnicos. Afinal, a câmera também é mais um ator. O ator invisível que, muitas vezes, é o olhar subjetivo do espectador.

Uma vez ouvi uma historinha, dessas que a gente nunca sabe se é mito ou não: Disseram a um grande fotógrafo que ele era um exímio contador de histórias. Que ele conseguia criar imagens extremamente belas e sensíveis, e, portanto, que ele conseguia transmitir com uma facilidade enorme sensações muito profundas e de uma forma sintética, direta. Ele respondeu que ele nunca se achou uma pessoa capaz de se exprimir com facilidade, ao contrário do que todos pensavam. Afinal, se ele fosse tão bom pra dizer o que queria, não precisaria carregar tantos equipamentos consigo para dizer apenas uma única imagem.

Primeiras fotos de Corpo Estranho - Segunda Temporada

Thursday, June 11th, 2009

Nossa nova colaboradora Alessandra Fratus (www.flickr.com/photos/afratus) registrou o primeiro encontro de nossa próxima superprodução, a tão aguardada Segunda Temporada de Corpo Estranho.

Aqui vai uma colher de chá para nossos fãs.

Veja também diretamente o Flickr dela com algumas fotos do TPA, inclusive de “Socorro, Que É Muito Respeitadora”, de Marta Góes.
http://www.flickr.com/photos/afratus/sets/72157619463048984/show/with/3613950477/

Maçã Argentina - Por Zemanuel Piñero

Thursday, June 11th, 2009

Oi, Renata!

Acabei de assistir a versão “ao vivo”.

Gostei muito mais !!!
A Maria Manoella, mais solta, mais entregue, mais presente.

Isso se dá, pelos menos aconteceu comigo, por estar acontecendo ao vivo !
Ainda que seja através de uma lente, existe a conciência de que naquela hora, no instante que acontece, há testemunhas do outro lado.Sabemos que estamos conectados.
E isso provoca uma magia diferente.
Não sei, posso estar viajando, mas, reparei isso em mim, na minha esperiência. E vi isso acontecer com a Maria Manoella, também. E achei bom !

Adorei como voce resolveu o bar.
Simples, envolvente e sem roubar o foco.
A Carol, deslumbrante, una autentica porteña !!!
A música ao vivo criou uma atmosfera ideal.
E gostei de ver o Danilo em cena, claro.

Bom, Parabéns !

Até a próxima.
Zemanuel

Peça nova no Sótão

Thursday, June 11th, 2009

Queridos, só para avisar que estamos com peça nova. Assista:

‘Socorro, Que É Muito Respeitadora’, de Marta Góes, direção de Danilo Marques, com Angela Dip e Iara Jamra.

Assista

O ao vivo foi uma delícia.

Vejam as fotos de ‘Maçã Argentina’

Sunday, June 7th, 2009

Acabamos de subir as fotos de ‘Maçã Argentina’ pro Flickr. Deem uma olhada aqui abaixo.

Aliás, todas as fotos de todas as produções do Teatro Para Alguém estão lá disponíveis, inclusive para baixar. Tem coisas beeeeem legais. Só clicar aqui.

Viva a democracia! Mas viva mais ainda o que se tem conteúdo!

Friday, June 5th, 2009

No final dos anos 80 até meados dos anos 90 a gente escutava frases como: “Bebida é água”. “Comida é pasto”. “Você tem fome de quê?”. “Você tem sede de quê?”.

Intuitivamente nós tínhamos sede e fome do que estava por vir. Estávamos à procura de algo, de alguém que dissesse a nossa língua, de fricções coletivas seja elas quais fossem.

Meados da década de 90 todos nós já tínhamos computadores. Navegávamos e descobríamos cada vez mais, mais vida inteligente na era da internet, mais games e mais sites pornôs. Como éramos e nos sentíamos astutos!!!

E hoje?

Hoje!

Hoje temos tudo. Continuamos astutos. Somos filhos dependentes do Google, Orkut, Youtube, Twitter…sem eles não vivemos porra!

Mas que estranho isso! 80% do que se tem num Youtube ou num Orkut da vida, é nada! Digo “nada” com a certeza de que estou usando a palavra certa. Digo nada me baseando no que me faz perder tempo dando downloads desnecessários. Lendo que o Rodrigo vai entrar no banho as 10:35 h e que só poderá falar com a Marcela as 11 h. Por quê? Por que tenho que perder meu tempo lendo isso? Mas espera aí! Nada mais democrático que a internet. Sou eu quem escolho o que vou ler ou ver. Desculpe as contradições. Pra você entender melhor onde quero chegar com esse engasgo, é simples: Viva a democracia! Mas viva mais ainda o que se tem conteúdo! Se não, a gente vai passar uma década perguntando: Se bebida é água e se comida é pasto, você caga o quê?

Seis meses de TPA

Sunday, May 31st, 2009

Quando lançamos o Teatro Para Alguém sentia que estávamos nos precipitando, fazendo algo que não sabíamos direito o que era. Mas a Rê insistiu e decidiu estreiar do jeito que estava, em Novembro de 2008. Afinal, fazia quase um ano que ficávamos discutindo como fazer e ela não aguentava mais esperar.

Hoje muita coisa mudou. Encontramos muitos parceiros, gente dedicada a trabalhar por quase nada, gente que não gostou (e nunca viu), gente que vê sempre e estranhou que não publicamos nada na véspera do Natal, gente que nunca entendeu nada do que estamos fazendo.

Mas hoje já temos muitas certezas. Continuamos achando que Teatro filmado é muito chato. Pela telinha do computador, esperando o download e dando paus homéricos, pior ainda. Mas então, por que continuar?

Porque acreditamos no que estamos fazendo, intuitivamente. Muitas pessoas que se juntaram a nós disseram que trabalhar no nosso site era a coisa que mais lhes davam prazer. Loucos profetas trouxeram a esperança de uma revolução cultural via Internet. As Lan Houses hoje espalhadas pelo país seriam os quilombos de onde qualquer um poderia gerar conteúdo para a futura IPTV, acabando com a oligarquização dos meios de comunicação de massa.

Lindo, lindo, mas por enquanto a ideologia ainda não trouxe um centavo sequer para o site, mesmo que a gente consiga produzir com muito, mas muito menos mesmo que qualquer produtora ou TV (e com qualidade igual ou melhor, diga-se de passagem). Os maiores dramaturgos da atualidade cederam seus textos para nossa encenação. Cansamos de contar quantos artistas daqui já ganharam prêmios Shell, Mel, Uéu. São pessoas que sabem que, muito mais do que prêmios, precisamos comunicar com pessoas, público, artistas, empresários, comunidades, países que acreditam na renovação e ousadia das linguagens teatral e audiovisual.

Por isso vamos indo. Estamos começando a trabalhar a segunda temporada de Corpo Estranho, com uma equipe maior ainda e um corpo técnico aprimorado. O time de campeões já tem muito mais que vinte e dois em campo, malucos que, vendo a bola rolar, entram no jogo somente pela alegria de ver seu trabalho sendo valorizado, de se divertir e se jogar no grande campo do mundo e da liberdade.

Estamos preparando grandes novidades no site, que serão implementadas à medida que ficarem prontas. E começamos aqui, neste Blog. Aqui queremos abrir para todos nossas dúvidas, certezas, o processo de criação, os dilemas que surgem no caminho com todos vocês, espectadores, leitores, artistas que visitam e circulam pela casa. Pela nossa casa. Afinal, estamos desbranvando uma seara nova para todos. Os malucos, os oligarcas, os campeões, os derrotados, os internautas e os anti-tecnólogos, os premiados, os quilombolas, os jogadores, os virtuais e reais, públicos, parceiros, cúmplices ou inimigos. Sejam benvindos sempre.

Nelson Kao